sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

[traços]

BENDERLIEV-KARLHOFER, Wessi

MESQUITA, Victor


 A Ficção científica nunca entusiasmou os autores de BD em Portugal.
Houve excepções - há sempre excepções - mas a BD portuguesa preferiu sempre recuperar o orgulho histórico a pôr-se a imaginar um futuro. E, no entanto, houve um momento em que tudo parecia mudar. 
Em 1975, no dia 1 de Abril, surgiu a revista "Visão". Inspirada na Métal Hurlant francesa, de Moebius e Philippe Druillet, reunia uma série de autores da nova BD portuguesa dirigidos por Victor Mesquita. Nascido em 1939 em Lisboa, foi na distante África do Sul que Mesquita começou a editar BD; colaborava com o "Rand Daily Mail". Quando regressa a Portugal, no início dos anos 70 do século passado, colabora com as revistas "Jacto" e "Cinéfilo" até chegar à "Visão". 
A revista teve vida breve, mas mudou a maneira como a BD era entendida em Portugal. Logo no número um aparece a obra maior de Mesquita: "Eternus 9 - Um Filho do Cosmos". Mais do que a história, uma parábola ecológica sobre a vida na Terra, era o desenho que surpreendia. Mesquita já antes mostrara o seu interesse na experimentação e na cuidada organização das pranchas, mas agora embrulhava tudo numa luxúria gráfica antes desconhecida. A história completa só foi publicada em 1979, na Meribérica, conheceu reedição recente pela Gradiva. Depois disso a obra de Mesquita tornou-se cada vez mais rara. Prometeu para 2009 a continuação de Eternus 9, "A Cidade dos Espelhos". Em 2010 nada-
Mas, chegados a 2011 finalmente foi publicado.  E sei que já trabalha no volume 3.
A ficção científica voltará a entusiasmar os editores portugueses? Acho que sim.